domingo, 22 de agosto de 2010

Ouvindo "Alice parte 1"

Farto de chorar em silêncio, decidi aplicar as minhas lágrimas num texto (algo que fazia muito e que tu também levaste contigo). E aviso já que não vou ter cuidado com clichés, visto que um homem quebrado de amores a escrever as suas mágoas, enquanto ouve uma música gentilmente triste, não olha a tais pormenores.
Sinto a tua falta todos os dias. Há uns piores do que outros: às vezes consigo estar distraído, vou tomando um café aqui, tocando ali. Mas na maioria deles não me sais da cabeça, por muito que arranje para fazer. Invento histórias de felicidade e de sucesso apenas para me abstrair da dor que me rebenta com o peito sempre que me lembro de cada beijo que me deste. Porque eu chego a esse cúmulo. Eu lembro-me de cada beijo que me deste. E de cada um que me recusaste. De todas as alturas que estava a pensar em pedir-te um... e de todas as outras em que estava, apenas, à espera da oportunidade certa para to roubar.
Lembro-me do teu corpo ao milímetro: cada curva, cada ruga, cada músculo. Não há parte que não me recorde com deleite e admiração!
Lembro-me do teu feitio, de como te chateavas comigo e de como eu pensava para mim: o que é que eu faço sempre mal?
É difícil conviver comigo, eu sou impossível, eu sou confuso, indeciso. Mas, porra, tinhas de me ter feito tão feliz, ao ponto de não te conseguir esquecer, apesar de querer? Sim, eu quero esquecer-te. Para quê voltar a lutar? Se tu própria já mo disseste na cara: Nunca mais teremos nada juntos. E se tivermos? Para quê voltar a fazer-te sofrer? Apenas por meses de felicidade?
Eu já não confio em mim, desisti de mim. Não valho a pena. E não estou a dramatizar nada, nem a fazer o papel de coitado (lembras-te de quando te disse isso? Arrependi-me no momento seguinte.), apenas estou a observar o óbvio. Sou uma boa pessoa, sou um bom homem. Um bom amigo. Mas não sirvo para fazer ninguém feliz, muito menos a ti.
Uma parte de mim anseia por uma altura em que olhe para trás, leia isto (e outros textos que guardo para mim) e diga: "Como estava eu errado, não achas querida?" Mas preciso que me ajudes nisso...
O teu ombro já é ombro? Está o fim perto do fim?